De Amsterdam peguei um avião pra Roma, não sem antes passar por um mega constrangimento. Já esperando pra entrar na sala de embarque sou abordada por dois brutamontes (um homem e uma mulher) que me pedem pra sair da fila. Tire as botas, a boina, a jaqueta... enquanto a mulher me dava um baculejo, o cara ia tirando as coisas da minha mochilinha - na frente de todo mundo! Nem tinha passado ainda pelo detector de metais. Enquanto a "criminosa" era revistada, um casal também foi retirado da fila e passou pelo mesmo constrangimento. Depois, só um "pode ir, boa viagem".
Enfim, cheguei a Roma. Do aeroporto pra estação de trem, da estação de trem para o albergue que eu não encontrava nunca, mais perdida que amendoim em boca de banguela... Depois de muito rodar cheguei ao hostal e fui recebida pelo staff mais lindo que eu já vi - 3 deuses búlgaros que, além de guapísimos, eram simpáticos. Melhorou meu dia. =) Peguei um mapinha que deve ter sido feito por uma criança e saí.
Andei pelas ruínas, foro (ou fórum?) romano, Coliseu, Fontana di Trevi e várias outras fontes e praças. Voltei exausta, mas no albergue tinha a tal "noite da pasta" e me enturmei com um pessoal. No dia seguinte um grupo faria uma visita ao Vaticano e eu fui junto. Tudo lá é impressionante e exala riqueza. A Basílica, Capela Sistina, os museus... e foi legal ter um guia (meu primeiro passeio guiado!), que por acaso era um dos gerentes gatinhos do albergue. ;)
O passeio foi cansativo, durou o dia todo e à noite eu ficaria no hostel mesmo. Mas era um "party hostel", eu estava em um quarto com seis pessoas e descansar era a última coisa que eu conseguiria fazer. Durante o jantar engatei um papo com um neozelandês e ele propôs que procurássemos um barzinho ali perto pra tomar a saideira. Só que o albergue ficava numa zona movimentada durante o dia e completamente deserta durante a noite. Fomos pedir informações na estação de trem e o cara nos disse pra pegar o metrô até a estação X, que lá estavam os bares e restaurantes. Fomos, né?
Chegando na tal rua, tudo ainda estava abrindo e descobrimos que os bares só abriam mais tarde - naquela hora, só os restaurantes estavam funcionando e, se nos sentássemos, tínhamos que comer alguma coisa. De repente encontramos um bar aberto - eba! - e entramos. Era um Karaokê gay. Beleza, se não tem tu... Foi divertido, conversamos bastante até nosso dinheiro acabar - eu tinha uns 20 euros na carteira - e tudo que eu queria era pegar um táxi e voltar pro hotel. Só que o rapaz queria ir caminhando até o outro lado da cidade! Bati o pé e ele cedeu, mas disse que precisava tirar dinheiro num caixa eletrônico. Fiquei esperando 10, 20, 40 minutos... e os garçons já retirando as mesas da calçada. Quando eu vi que ele não voltaria, caí no choro. Estava sozinha, numa cidade desconhecida, sem grana pra voltar pra "casa"... e aquele filho da puta me abandonou!!!
No meio da minha crise de choro, fui cercada por garçons preocupados comigo, uns 10 à minha volta. Aí escuto uns gritos de uma mulher e eles se afastaram. Ela me puxou pelo braço, perguntou o que eu estava fazendo ali sozinha aquela hora e eu contei minha triste história. Ela era uma prostituta russa e disse que aquela era uma área perigosíssima. Parou um táxi, perguntou quanto seria a corrida até meu hotel e pagou o taxista, com a recomendação de me deixar na porta. Foi meu anjo da guarda.Cheguei puta puta puta da vida com o cara e nem conseguia dormir de tanta raiva. Minutos depois escuto alguém subindo as escadas e era o próprio, com a cara mais lavada do mundo, dizendo que tinha voltado lá e eu não estava mais... MORRA, MORRA, SEU FDP!! (to be continued...).
Meu espaço para dividir experiências e dicas com viajantes de primeira, segunda ou milésima viagem!
sábado, 19 de maio de 2012
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Roteiro 2012 - Datas e Custos
Antes de continuar meus relatos, vou postar aqui o roteiro completo, com as datas. Se alguém estiver por lá nesse período, let me know!
VIAGEM PARA EUROPA - DE 14/06 A 31/07
14/06 – QUINTA: BSB-LISBOA (TAP – 16h45-06h00)
15/06 – SEXTA: LISBOA- LONDRES (BA – 11h-13h40 Heathrow)
16/06 – SÁBADO: LONDRES
17/06 – DOMINGO: LONDRES
18/06 – SEGUNDA: LONDRES
19/06 – TERÇA: LONDRES
20/06 – QUARTA: LONDRES
21/06 – QUINTA: LONDRES – BCN (BA – City 09h10-12h20)
22/06 – SEXTA: BARCELONA
23/06 – SÁBADO: BARCELONA
24/06 – DOMINGO: BARCELONA
25/06 – SEGUNDA: BARCELONA
26/06 – TERÇA: BARCELONA
27/06 - QUARTA: BARCELONA
28/06 - QUINTA: BARCELONA - GRANADA (Vueling - 13h20-14h45)
29/06 - SEXTA: GRANADA
30/06 - SÁBADO: GRANADA
01/07 - DOMINGO: GRANADA - CÓRDOBA - SEVILHA (TREM)
02/07 - SEGUNDA: SEVILHA
03/07 - TERÇA: SEVILHA
04/07 – QUARTA: SEVILHA - BARCELONA (Vueling - 21h10-22h40)
05/07 - QUINTA: BARCELONA - BERLIM (Vueling 11h25- 14h05)
06/07 - SEXTA: BERLIM
07/07 - SÁBADO: BERLIM
08/07 - DOMINGO: BERLIM
09/07 – SEGUNDA: BERLIM – BUDAPESTE (SMARTWINGS - Bradenburg 11h55 – 13h20)
10/07 – TERÇA: BUDAPESTE
11/07 – QUARTA: BUDAPESTE
12/07 – QUINTA: BUDAPESTE –VIENA (TREM)
13/07 – SEXTA: VIENA
14/07 – SÁBADO: VIENA – PRAGA (TREM)
15/07 – DOMINGO: PRAGA
16/07 – SEGUNDA: PRAGA
17/07 – TERÇA: PRAGA – PARIS (SMARTWINGS – 12h30-14h15 CDG)
18/07 – QUARTA: PARIS
19/07 – QUINTA: PARIS
20/07 – SEXTA: PARIS
21/07 – SÁBADO: PARIS –BCN (VUELING - Orly 16h30-18h05)
22/07 – DOMINGO: BARCELONA
23/07 – SEGUNDA: BARCELONA
24/07 – TERÇA: BARCELONA
25/07 – QUARTA: BARCELONA
26/07 – QUINTA: BARCELONA
27/07 – SEXTA: BARCELONA – LISBOA (TAP – 17h55- 18h50)
28/07 – SÁBADO: LISBOA
29/07 – DOMINGO: LISBOA
30/07 – SEGUNDA: LISBOA
31/07 – TERÇA: LISBOA – BSB (TAP – 09h35 – 15h15)
Bom, essas são as datas, já fechadas. Como eu já disse, comprei tudo antecipado e consegui bons preços. A passagem Brasília - Lisboa - Brasília custou R$ 1792,00 pela TAP. Havia outras companhias com preços até menores, mas mais tempo de viagem e conexões. Sempre entrei por Lisboa e a imigração é tranquila.
Em Barcelona, como terei que fazer nova imigração (pois virei de Londres, fora da UE), resolvi reservar um hotel com possibilidade de cancelamento. Uma amiga me chamou pra ficar na casa dela, mas ainda não sei. Pra ela não ter trabalho em fazer carta-convite, vou levar a reserva do hotel pra apresentar na Imigração.
Os bilhetes de trem ainda não foram comprados - provavelmente vou comprar direto na estação - mas já vi os preços pela internet, porém não incluí ainda no preço final. Vale lembrar que eu fiz os cálculos no início de maio, antes da alta do dólar, então provavelmente o total será um pouco mais.
Os voos serão pela TAP, Bristish Airways, Vueling e Smartwings, já com bagagem despachada incluída. Só em Londres vou ficar em albergue, o resto é hotel mesmo - alguns até 4 estrelas!! ;) Na Andaluzia vou dividir quarto com uma amiga, de Budapeste a Praga com um amigo e de Paris em diante reservamos quartos triplos, pois outra amiga vai se juntar a nós.
Enfim, calculando o custo das passagens aéreas e hospedagem, o total ficou em R$ 6.805,00. Não incluí a reserva de uma semana em Barcelona, já que devo ficar na casa da minha amiga, nem as passagens de trem. Depois vou refazer esses cálculos com o euro mais caro - e continuar rezando pra ele baixar até a data da viagem!
Brugges e Amsterdam
... e, em Paris, era hora de decidir qual seria meu próximo destino. Alguém tinha me dito que Brugges, na Bélgica, era lindo. Fui pra estação comprar a passagem pro próximo trem. "Só tem primeira classe, senhora, pode ser?". Putz, 60 euros. Ok, pode. No meio do caminho, aquele tombo monumental que eu tomei e machuquei os joelhos. Pelo menos a primeira classe tinha mais espaço pra esticar as pernas e guardar as mochilas perto de mim. Lembro que cheguei na estação e fui comprar o bilhete pra Amsterdam, minha próxima parada. A atendente era uma grossa e só me respondia em flamengo. Nem quis me explicar como eu chegava no hostel. Peguei um mapinha, fui atrás de um táxi (meus joelhos estavam acabados) e, enquanto procurava um, encontrei o albergue. ;)
Detalhe: era sexta-feira e eu comprei a passagem pra segunda. Mal sabia eu que Brugges se conhece inteira em uma tarde. Tóimmm! O albergue estava vazio, devia ter meu quarto e mais um ocupado. Rodei procurando um restaurante - tudo fechado! Acabei jantando um pacotinho de batatas chips. No dia seguinte fui caminhar e me dei conta que já tinha visto tudo na tarde anterior. Só faltava subir na torre, de onde se tem uma vista linda da cidade - mas como subir 200 mil degraus com os joelhos daquele jeito? Acabei ficando sentada na praça, lendo o dia todo e batendo fotos para turistas.
E ainda tinha o domingo inteeeeiro pela frente... antes de eu ir embora, os garçons e vendedores já me conheciam pelo nome e deviam se perguntar "o que essa louca está fazendo sozinha aqui durante tanto tempo?". Um cara queria até me vender uma casa lá! rs. Vale o passeio, a cidadezinha é encantadora, tudo é limpíssimo, parece que você está na Disney - mas faça um bate-e-volta.
Depois do meu fim de semana totalmente radical e emocionante no interior da Bélgica, peguei o trem pra Amsterdam. Os dois albergues que me recomendaram estavam lotados, então tive que procurar outro - uma facada, 40 euros a diária num quarto para seis meninas (lembrem-se que o euro estava quase 4 reais na época!). Deixei minhas coisas no albergue e fui dar uma volta pra fazer o reconhecimento da cidade.
Amsterdam é linda, com todos aqueles canais, bicicletas, tulipas e tamanquinhos. Mas logo o deslumbramento passa quando você começa a observar as pessoas. Parece que todo mundo está ali com um único objetivo: sexo e/ou drogas. Conheci um português que estava na praça principal, com um lençol estendido no chão, cheio de objetos desconexos em cima. Queria me vender qualquer coisa e eu acabei comprando um caderno cheio de rascunhos e desenhos. Ele me contou a história dele e eu percebi que era a mesma história da maioria que eu via nas ruas. Fernando estava ali há 6 meses, no esquema "vendendo o almoço pra comprar o jantar", mas no caso dele, era pra comprar maconha mesmo. Pior foi quando ele me disse a idade - eu chutaria 40 - e me disse que tinha 22 anos, comprovados com a identidade. Choquei!
Na manhã seguinte conheci minhas companheiras de quarto, uma argentina e uma chilena, que também estavam viajando sozinhas. Eba! Nos juntamos e fomos desbravar a cidade. Alugamos uma bike e passeamos por toda a cidade, tiramos fotos em lugares proibidos e conhecemos algumas coffee shops no caminho...rs. Tinha um lugar que eu queria ir e elas acharam caro, a Casa de Anne Frank. Quando elas me encontraram na volta eu estava aos prantos! O lugar tem uma energia muito forte, só tinha sentido isso uma vez, em Alcatraz. Mas daí fomos tomar um "cafezinho" e o choro virou gargalhada...kkkkkkkkkkkkk.
Talvez eu não tivesse gostado tanto de Amsterdam se não fosse pelas meninas. Uma noite nos arriscamos a ir ao Red Light District, que ficava bem atrás do nosso hotel, pra ver as "moças na vitrine". Não sei direito o que aconteceu, mas rolou algum babado, confusão & gritaria e voltamos correndo (literalmente) pro albergue, antes mesmo de chegar na famosa rua. Por falar em albergue, esse White Tulip fica ao lado de uma igreja cujo sino toca de hora em hora, inclusive durante a madrugada. Infernal. As meninas iam embora no mesmo dia que eu. Não me lembro pra onde cada uma foi, mas eu tenho boca e fui a Roma...
Detalhe: era sexta-feira e eu comprei a passagem pra segunda. Mal sabia eu que Brugges se conhece inteira em uma tarde. Tóimmm! O albergue estava vazio, devia ter meu quarto e mais um ocupado. Rodei procurando um restaurante - tudo fechado! Acabei jantando um pacotinho de batatas chips. No dia seguinte fui caminhar e me dei conta que já tinha visto tudo na tarde anterior. Só faltava subir na torre, de onde se tem uma vista linda da cidade - mas como subir 200 mil degraus com os joelhos daquele jeito? Acabei ficando sentada na praça, lendo o dia todo e batendo fotos para turistas.
E ainda tinha o domingo inteeeeiro pela frente... antes de eu ir embora, os garçons e vendedores já me conheciam pelo nome e deviam se perguntar "o que essa louca está fazendo sozinha aqui durante tanto tempo?". Um cara queria até me vender uma casa lá! rs. Vale o passeio, a cidadezinha é encantadora, tudo é limpíssimo, parece que você está na Disney - mas faça um bate-e-volta.
Depois do meu fim de semana totalmente radical e emocionante no interior da Bélgica, peguei o trem pra Amsterdam. Os dois albergues que me recomendaram estavam lotados, então tive que procurar outro - uma facada, 40 euros a diária num quarto para seis meninas (lembrem-se que o euro estava quase 4 reais na época!). Deixei minhas coisas no albergue e fui dar uma volta pra fazer o reconhecimento da cidade.
Amsterdam é linda, com todos aqueles canais, bicicletas, tulipas e tamanquinhos. Mas logo o deslumbramento passa quando você começa a observar as pessoas. Parece que todo mundo está ali com um único objetivo: sexo e/ou drogas. Conheci um português que estava na praça principal, com um lençol estendido no chão, cheio de objetos desconexos em cima. Queria me vender qualquer coisa e eu acabei comprando um caderno cheio de rascunhos e desenhos. Ele me contou a história dele e eu percebi que era a mesma história da maioria que eu via nas ruas. Fernando estava ali há 6 meses, no esquema "vendendo o almoço pra comprar o jantar", mas no caso dele, era pra comprar maconha mesmo. Pior foi quando ele me disse a idade - eu chutaria 40 - e me disse que tinha 22 anos, comprovados com a identidade. Choquei!
Na manhã seguinte conheci minhas companheiras de quarto, uma argentina e uma chilena, que também estavam viajando sozinhas. Eba! Nos juntamos e fomos desbravar a cidade. Alugamos uma bike e passeamos por toda a cidade, tiramos fotos em lugares proibidos e conhecemos algumas coffee shops no caminho...rs. Tinha um lugar que eu queria ir e elas acharam caro, a Casa de Anne Frank. Quando elas me encontraram na volta eu estava aos prantos! O lugar tem uma energia muito forte, só tinha sentido isso uma vez, em Alcatraz. Mas daí fomos tomar um "cafezinho" e o choro virou gargalhada...kkkkkkkkkkkkk.
Talvez eu não tivesse gostado tanto de Amsterdam se não fosse pelas meninas. Uma noite nos arriscamos a ir ao Red Light District, que ficava bem atrás do nosso hotel, pra ver as "moças na vitrine". Não sei direito o que aconteceu, mas rolou algum babado, confusão & gritaria e voltamos correndo (literalmente) pro albergue, antes mesmo de chegar na famosa rua. Por falar em albergue, esse White Tulip fica ao lado de uma igreja cujo sino toca de hora em hora, inclusive durante a madrugada. Infernal. As meninas iam embora no mesmo dia que eu. Não me lembro pra onde cada uma foi, mas eu tenho boca e fui a Roma...
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Paris, Paris...
Depois da minha quase fuga de Madrid, cheguei sã e salva à Paris. Não encontrava nenhum hostel barato e meu namoradinho francês de Tenerife fez questão que eu ficasse na casa dos irmãos dele. Não tive como recusar. Chegando na estação de trem próxima à casa deles, liguei pro Cyrill me dar instruções de como chegar lá - nem mapa eu tinha. Ele foi um fofo, ficou comigo no telefone até eu chegar no prédio e me deu uma notícia: a sogra do Aaron chegou e você vai ter que ficar na casa do Ariel. Já me desesperei. Como assim, só agora você me diz isso??
Aí ele me esclareceu: o apartamento deles é uma espécie de "conjugado", não sei explicar. É como se fossem dois apartamentos vizinhos, independentes, mas com uma sala em comum. Beleza. Só que o ap do Ariel era minúsculo, um quarto com beliche e sofá, mini-banheiro e mini-cozinha. Ele me ofereceu a cama dele e disse que dormiria no sofá, ok. Fui tomar meu banho e tirar um cochilo depois da péssima noite que eu tive e ele foi trabalhar.
Eis que acordo com uma negona 2x2 berrando comigo em francês e eu sem entender absolutamente rien de rien!! Depois de milhares de tentativas tentando explicar quem eu era (em inglês, claro), liguei de novo pro Cyrill e ele conversou com ela pelo telefone. Vi que ela foi ficando mais calma e eu ainda sem entender nada. Me pediu desculpas, fez um chá pra mim e o Cyrill me explicou que ela era a ex do irmão e que não gostou nada de ver "uma vagabunda dormindo na cama dele". Ariel chegou, começou a gritaria de novo e eu saí de fininho...
O que dizer de Paris? Nenhum adjetivo é capaz de descrever a beleza da cidade (nusss, que brega ficou isso!) e andar por Paris e se perder pelas ruas é a melhor forma de conhecê-la. Eu me perdi, literalmente. Rodei a cidade toda, dos pontos turísticos aos bairros perigosíssimos - que eu não fazia a menor ideia de onde estava me metendo - mas descobrindo lojinhas, cafés e arte, muita arte pelo caminho. Um dia eu peguei o metrô até o centro e andei tanto, mas tanto que quando eu vi já estava em casa de novo. Logo eu, que não sou fã de caminhadas longas...
Difícil dar dicas sobre o que é imperdível em Paris. Passei 6 dias e deixei de ver muita coisa que eu gostaria e de fazer outras por falta de grana mesmo. Paris é cara, muito cara. Como eu tenho a carteira internacional da FENAJ, entrei em várias atrações com desconto ou pagando menos. No Louvre, por exemplo, entrei 4 vezes, 0800. Ser jornalista tinha que ter alguma vantagem, né??rs
Só lamento não ter conhecido a noite de Paris. Meu anfitrião tinha dois empregos e não podia me acompanhar e eu ainda estava com medo de me aventurar sozinha numa cidade desconhecida. Coisas de principiante... Mas eu andava tanto durante o dia que à noite estava exausta, só queria banho e cama mesmo.
Sobre a fama dos parisienses serem grossos e arrogantes, confesso que senti o contrário. Meu francês é precário, basicão, mas algumas palavrinhas como "por favor", "desculpe" e "obrigado" são o mínimo que você deve saber ao chegar a um país estrangeiro. Eu recebi a dica de perguntar, em francês, se a pessoa falava espanhol ou português e funcionou! Eles são muito mais receptivos se você começar uma conversa assim. Muitos falam inglês - mas com um sotaque tão forte que é quase impossível de entender. O grande mito de que eles odeiam inglês é falso; o problema é que a maioria já chega falando em inglês sem perguntar, no país deles, como se eles tivessem a obrigação de saber. É isso que os chateia, na verdade.
Enfim, Paris é uma cidade imperdível e vale a visita sempre (nessa viagem eu volto lá!). Se depois me lembrar de outra história, eu volto! Beijos!
Aí ele me esclareceu: o apartamento deles é uma espécie de "conjugado", não sei explicar. É como se fossem dois apartamentos vizinhos, independentes, mas com uma sala em comum. Beleza. Só que o ap do Ariel era minúsculo, um quarto com beliche e sofá, mini-banheiro e mini-cozinha. Ele me ofereceu a cama dele e disse que dormiria no sofá, ok. Fui tomar meu banho e tirar um cochilo depois da péssima noite que eu tive e ele foi trabalhar.
Eis que acordo com uma negona 2x2 berrando comigo em francês e eu sem entender absolutamente rien de rien!! Depois de milhares de tentativas tentando explicar quem eu era (em inglês, claro), liguei de novo pro Cyrill e ele conversou com ela pelo telefone. Vi que ela foi ficando mais calma e eu ainda sem entender nada. Me pediu desculpas, fez um chá pra mim e o Cyrill me explicou que ela era a ex do irmão e que não gostou nada de ver "uma vagabunda dormindo na cama dele". Ariel chegou, começou a gritaria de novo e eu saí de fininho...
O que dizer de Paris? Nenhum adjetivo é capaz de descrever a beleza da cidade (nusss, que brega ficou isso!) e andar por Paris e se perder pelas ruas é a melhor forma de conhecê-la. Eu me perdi, literalmente. Rodei a cidade toda, dos pontos turísticos aos bairros perigosíssimos - que eu não fazia a menor ideia de onde estava me metendo - mas descobrindo lojinhas, cafés e arte, muita arte pelo caminho. Um dia eu peguei o metrô até o centro e andei tanto, mas tanto que quando eu vi já estava em casa de novo. Logo eu, que não sou fã de caminhadas longas...
Difícil dar dicas sobre o que é imperdível em Paris. Passei 6 dias e deixei de ver muita coisa que eu gostaria e de fazer outras por falta de grana mesmo. Paris é cara, muito cara. Como eu tenho a carteira internacional da FENAJ, entrei em várias atrações com desconto ou pagando menos. No Louvre, por exemplo, entrei 4 vezes, 0800. Ser jornalista tinha que ter alguma vantagem, né??rs
Só lamento não ter conhecido a noite de Paris. Meu anfitrião tinha dois empregos e não podia me acompanhar e eu ainda estava com medo de me aventurar sozinha numa cidade desconhecida. Coisas de principiante... Mas eu andava tanto durante o dia que à noite estava exausta, só queria banho e cama mesmo.
Sobre a fama dos parisienses serem grossos e arrogantes, confesso que senti o contrário. Meu francês é precário, basicão, mas algumas palavrinhas como "por favor", "desculpe" e "obrigado" são o mínimo que você deve saber ao chegar a um país estrangeiro. Eu recebi a dica de perguntar, em francês, se a pessoa falava espanhol ou português e funcionou! Eles são muito mais receptivos se você começar uma conversa assim. Muitos falam inglês - mas com um sotaque tão forte que é quase impossível de entender. O grande mito de que eles odeiam inglês é falso; o problema é que a maioria já chega falando em inglês sem perguntar, no país deles, como se eles tivessem a obrigação de saber. É isso que os chateia, na verdade.
Enfim, Paris é uma cidade imperdível e vale a visita sempre (nessa viagem eu volto lá!). Se depois me lembrar de outra história, eu volto! Beijos!
Tenerife e Madrid
Boa tarde, crianças! Hoje resolvi falar um pouco das cidades que eu conheci no último mochilão e, obviamente, de algumas confusões em que eu me meti... Vou dividir por cidades pra ficar mais fácil, ok?
Minha primeira parada foi Tenerife, nas Ilhas Canárias, quase na costa africana. Fui pra visitar minha grande amiga e mãe do meu afilhadinho, que na época estava com 3 anos. Na verdade não tenho muito o que falar de lá, apesar de ter sido o lugar que eu passei mais tempo - quase 3 semanas! A ilha é bonita e tal, tem o vulcão Teide e... só. É um balneário para turistas, principalmente ingleses. As placas, os cardápios, as propagandas - tudo está escrito em inglês e espanhol, me lembrou Miami.
Minha amiga morava no alto de uma montanha, sem transporte público para o centro - ou seja, dependia dela o tempo todo e ela não estava muito em clima de passeio, com filho pequeno e tals. Conheci uma praia aqui, um bar ali, uma boate acolá e praticamente foi isso. Só na última semana é que eu fui "salva" por um francês amigo do casal e consegui conhecer melhor a cidade na companhia do meu "namoradinho"...rs. Gostei particularmente de um show do Maná, na areia da praia, com uma lua cheia incrível. E quando os aeroviários saíram de greve, comprei minha passagem rumo a Madrizzz, como dizem os madrileños.
Já contei da minha chegada - mochila extraviada, quarto com 3 homens - e agora vou dar minhas impressões sobre a cidade. É bonita. É agitada. Tem o Prado, tem o Parque do Retiro, tem a "movida" pela noite. Mas não me impressionou. Eu vinha de Barcelona, né? Mal comparando, é como um turista chegar no Brasil pelo Rio e depois ir pra São Paulo.
Em Madrid eu tinha um contato - aquele amigo da amiga da amiga do amigo, sabe? - um hondurenho que estudava lá e se ofereceu pra passear um dia comigo. O passeio foi ótimo, ele me levou a vários lugares, conversamos bastante, enfim, um cara agradável. Como era meu último dia na cidade e meu voo saía de manhã cedo, aceitei dormir na casa dele, que era perto do aeroporto. Fiz o check-out no hostel e fomos pra lá. Conversamos, vimos TV, tomamos vinho e eu disse que precisava dormir.
Aí começou o pesadelo... o cara queria me agarrar de qualquer jeito! E eu lá, na casa dele, quase madrugada... como é que eu ia fugir?? Não sei como me desvencilhei dele, corri pro quarto, tranquei a porta com ferrolho e empurrei a mesinha de cabeceira contra a porta. Liguei chorando pra menina que tinha me dado o contato dele, dizendo que ele ia me estuprar, e ela correu pra lá! Ufa! 3x UFA! Deu-lhe uma bronca monumental e dormiu comigo. Só que no dia seguinte ela trabalhava muito cedo e teve que ir embora. O pânico me dominou de novo e eu pensei em fugir pela janela! hahaha. Quando saí do quarto ele tinha preparado um café da manhã pra mim e era só desculpas, ainda se ofereceu pra me levar ao aeroporto. Imagina se eu queria esse tarado me acompanhando? Peguei um táxi e fui pro aeroporto, com fome e sem banho. Adeus pra sempre!
PS: Ele tinha meu telefone e meu e-mail, passou MESES tentando se desculpar... otário!
Minha primeira parada foi Tenerife, nas Ilhas Canárias, quase na costa africana. Fui pra visitar minha grande amiga e mãe do meu afilhadinho, que na época estava com 3 anos. Na verdade não tenho muito o que falar de lá, apesar de ter sido o lugar que eu passei mais tempo - quase 3 semanas! A ilha é bonita e tal, tem o vulcão Teide e... só. É um balneário para turistas, principalmente ingleses. As placas, os cardápios, as propagandas - tudo está escrito em inglês e espanhol, me lembrou Miami.
Minha amiga morava no alto de uma montanha, sem transporte público para o centro - ou seja, dependia dela o tempo todo e ela não estava muito em clima de passeio, com filho pequeno e tals. Conheci uma praia aqui, um bar ali, uma boate acolá e praticamente foi isso. Só na última semana é que eu fui "salva" por um francês amigo do casal e consegui conhecer melhor a cidade na companhia do meu "namoradinho"...rs. Gostei particularmente de um show do Maná, na areia da praia, com uma lua cheia incrível. E quando os aeroviários saíram de greve, comprei minha passagem rumo a Madrizzz, como dizem os madrileños.
Já contei da minha chegada - mochila extraviada, quarto com 3 homens - e agora vou dar minhas impressões sobre a cidade. É bonita. É agitada. Tem o Prado, tem o Parque do Retiro, tem a "movida" pela noite. Mas não me impressionou. Eu vinha de Barcelona, né? Mal comparando, é como um turista chegar no Brasil pelo Rio e depois ir pra São Paulo.
Em Madrid eu tinha um contato - aquele amigo da amiga da amiga do amigo, sabe? - um hondurenho que estudava lá e se ofereceu pra passear um dia comigo. O passeio foi ótimo, ele me levou a vários lugares, conversamos bastante, enfim, um cara agradável. Como era meu último dia na cidade e meu voo saía de manhã cedo, aceitei dormir na casa dele, que era perto do aeroporto. Fiz o check-out no hostel e fomos pra lá. Conversamos, vimos TV, tomamos vinho e eu disse que precisava dormir.
Aí começou o pesadelo... o cara queria me agarrar de qualquer jeito! E eu lá, na casa dele, quase madrugada... como é que eu ia fugir?? Não sei como me desvencilhei dele, corri pro quarto, tranquei a porta com ferrolho e empurrei a mesinha de cabeceira contra a porta. Liguei chorando pra menina que tinha me dado o contato dele, dizendo que ele ia me estuprar, e ela correu pra lá! Ufa! 3x UFA! Deu-lhe uma bronca monumental e dormiu comigo. Só que no dia seguinte ela trabalhava muito cedo e teve que ir embora. O pânico me dominou de novo e eu pensei em fugir pela janela! hahaha. Quando saí do quarto ele tinha preparado um café da manhã pra mim e era só desculpas, ainda se ofereceu pra me levar ao aeroporto. Imagina se eu queria esse tarado me acompanhando? Peguei um táxi e fui pro aeroporto, com fome e sem banho. Adeus pra sempre!
PS: Ele tinha meu telefone e meu e-mail, passou MESES tentando se desculpar... otário!
terça-feira, 15 de maio de 2012
Arrumando a mala (ou mochila)
Hoje não fiz nada relacionado à viagem - nem pesquisa, nem roteiro, nada! Só fiquei relembrando, vendo fotos antigas e sonhando com as novas - dessa vez, sem dezenas de rolos de filme na mochila. E quando eu penso na mochila (que dessa vez vai se transformar em mala de rodinhas) não tenho saudade nenhuma... Saí de Barcelona com 10 kg na mochilona e 5kg na mochilinha, voltei com mais de 30kg nas costas!
Acho que o principal problema de que vai fazer uma viagem grande pela primeira vez é: o que levar na mala/mochila? Sou uma péssima conselheira nesse ponto. Sempre viajo com uma mala enooorme porque acho que pode pintar um casamento surpresa no caminho e eu estarei sem vestido! Bobagem, sempre volto com metade da mala sem usar. Dessa vez vou tentar - juro! - ser mais compacta na arrumação da mala.
Mochila pode ser prática por um lado e um estorvo por outro. Amarrota a roupa, tem que tirar tuuudo pra encontrar uma peça e te deixa corcunda. Já a mala é mais espaçosa, mas dá mais trabalho pra subir escadas, embarcar no trem/metrô, etc. Importante dizer que várias cias aéreas, principalmente as low cost, cobram por mala despachada (às vezes sai mais caro que a própria passagem), mas você pode levar uma maleta de mão (as especificações de tamanho são maiores que as do Brasil). Pra uma viagem curta, se você for voltar pro lugar de origem, vale a pena.
Eu despachava a mochilona e seguia com a mochilinha, com itens pessoais e de valor. Sempre levava uma blusa, calcinha e um casaquinho nela para alguma eventualidade. E foi isso que me salvou no voo Tenerife - Madrid, quando minha mochilona foi extraviada. Meu Zeus, como extraviam uma mala num voo direto de menos de 2h?? Só sei que foi assim e lá fui eu, descrever a mochila, deixar endereço do albergue e sair do aeroporto chorando. Avisei no hotel sobre o extravio e, depois de um dia caminhando pela cidade, me avisaram na recepção que na manhã seguinte minha mochila seria entregue. E assim foi, depois da noite de pânico dividindo os beliches com os barbudos.
Depois disso nunca mais perdi a mochila, mas isso não quer dizer que ela não me trouxe mais problemas... Na estação de trem em Paris, estava eu pimpona e perdida, procurando onde era meu embarque quando piso em falso num degrau e PLOFT! - Joana vai ao chão. Mochilinha na frente e mochilão nas costas, quem disse que eu conseguia me levantar? Fiquei lá um bom tempo debatendo as perninhas - Vida de Inseto feelings - até alguém se dispor a me levantar. E não foi fácil seguir o resto do percurso com aquele peso todo e os joelhos arrebentados...
Enfim, seja mala ou mochila, tem que ser leve e "fácil" de carregar - até porque você vai querer comprar uma ou outra coisa lá, mesmo sendo um mochileiro sem grana. Claro que no inverno a bagagem vai ser mais pesada que no verão, mas lembre-se que existem lavanderias nos hotéis ou próximo a eles. E mulheres: esqueçam o salto alto e os quilos de maquiagem - vocês raramente vão usar. Um sapato de salto é mais que suficiente e uma necessaire com o básico do make tá ok, por mais dolorido que pareça.
No mais, tênis ou sapato confortável pra andar muito e um chinelinho (principalmente se ficar em albergues), jeans, camisetas, short ou bermuda no verão, um casaco mais pesado no inverno. Até produtos de higiene eu recomendo comprar lá (o xampu daqui não faz espuma lá...rs), fora que na bagagem de mão só é permitido levar líquidos com até 50 ou 100ml (consulte a cia). Remédios e receitas, leve daqui. E não esqueça de informar no formulário da alfândega daqui o que está levando de eletrônicos ou você pode ter problemas na volta. Espero ter ajudado! ;)
A Europa antes e agora
Tô adorando escrever esse blog (mesmo que ninguém leia... hahaha). É bom dividir recordações e dar dicas aos que pretendem se largar no mundo, sozinhos ou acompanhados. Dessa vez vai ser mezzo a mezzo, pois como já disse, uma parte da viagem vai ser na companhia do meu melhor amigo, que esticou a viagem dele pra me acompanhar. Eu fazia questão de visitar o "leste" (Budapeste, Praga e Viena - que não é leste, mas é parecida) e ele não abria mão de Paris, Barcelona e Lisboa. Destas, só Lisboa não conheço (aeroporto conta?rs), mas não é sacrifício nenhum voltar a Paris e a minha amada, idolatrada, salve, salve, Barcelona! ;)
Como eu já contei, nessa trip passo por BCN duas vezes. Em junho, pra verbena de San Joan e rever os amigos que lá ficaram, e em julho, pra apresentar "minha cidade" aos amigos. Fico em média uma semana cada vez.
Sei que a Europa que eu vou encontrar será muito diferente daquela de 7 anos atrás. É um continente em crise, não tão seguro quanto antes. Pelos relatos de quem mora ou esteve lá recentemente, há muita gente morando nas ruas, pedindo dinheiro, assaltando mesmo. Naquela época já existia, principalmente imigrantes do leste, norte da África e alguns sul-americanos, mas hoje em dia o quadro está bem pior. Pensar nisso me traz tristeza e um pouco de preocupação também.
No período em que eu morei por lá, fui bem tratada, no geral - claro que tinha um ou outro mané xenófobo - e o Brasil estava "na moda". Até uma micareta rolou em pleno Passeig de Gràcia, em Barcelona, que reuniu milhares de pessoas. Mesmo na França, que tem fama de povo mal-educado, não aconteceu nada comigo. Não sei se porque já estava acostumada à marra dos catalães, que são grossos pra caramba, não me deixei intimidar por conta da minha nacionalidade. A única coisa que me incomodava era o fato de a mulher brasileira ser vista como uma bunda ambulante, como já disse antes, mas até isso eu contornava.
Hoje a situação mudou de figura: se por um lado eles precisam de turistas para movimentar a economia, por outro eles morrem de medo de perder seus empregos para imigrantes, às vezes mais bem qualificados que eles. E a não ser que você esteja com uma câmera no pescoço, bermuda, meia no tornozelo e mochila nas costas, não é tão fácil identificar quem é quem. Minha preocupação é justamente essa, ser turista e ser tratada como imigrante que vai roubar empregos - melhor providenciar meu uniforme de turista logo! rs
Muita gente me pergunta se eu tenho vontade de morar lá novamente e a resposta é sempre a mesma: claro! Mas não agora. Aos 20 e poucos anos você larga tudo e não se aborrece com nada, mas aos 30 e poucos a coisa muda de figura. Não quero abandonar minha profissão pra ser garçonete de novo, nem dividir um ap com um banheiro com mais 5 pessoas. Tenho ótimas recordações, mas passou. Quando eu voltar, quero que seja diferente. E sei que agora isso não é possível.
Como eu já contei, nessa trip passo por BCN duas vezes. Em junho, pra verbena de San Joan e rever os amigos que lá ficaram, e em julho, pra apresentar "minha cidade" aos amigos. Fico em média uma semana cada vez.
Sei que a Europa que eu vou encontrar será muito diferente daquela de 7 anos atrás. É um continente em crise, não tão seguro quanto antes. Pelos relatos de quem mora ou esteve lá recentemente, há muita gente morando nas ruas, pedindo dinheiro, assaltando mesmo. Naquela época já existia, principalmente imigrantes do leste, norte da África e alguns sul-americanos, mas hoje em dia o quadro está bem pior. Pensar nisso me traz tristeza e um pouco de preocupação também.
No período em que eu morei por lá, fui bem tratada, no geral - claro que tinha um ou outro mané xenófobo - e o Brasil estava "na moda". Até uma micareta rolou em pleno Passeig de Gràcia, em Barcelona, que reuniu milhares de pessoas. Mesmo na França, que tem fama de povo mal-educado, não aconteceu nada comigo. Não sei se porque já estava acostumada à marra dos catalães, que são grossos pra caramba, não me deixei intimidar por conta da minha nacionalidade. A única coisa que me incomodava era o fato de a mulher brasileira ser vista como uma bunda ambulante, como já disse antes, mas até isso eu contornava.
Hoje a situação mudou de figura: se por um lado eles precisam de turistas para movimentar a economia, por outro eles morrem de medo de perder seus empregos para imigrantes, às vezes mais bem qualificados que eles. E a não ser que você esteja com uma câmera no pescoço, bermuda, meia no tornozelo e mochila nas costas, não é tão fácil identificar quem é quem. Minha preocupação é justamente essa, ser turista e ser tratada como imigrante que vai roubar empregos - melhor providenciar meu uniforme de turista logo! rs
Muita gente me pergunta se eu tenho vontade de morar lá novamente e a resposta é sempre a mesma: claro! Mas não agora. Aos 20 e poucos anos você larga tudo e não se aborrece com nada, mas aos 30 e poucos a coisa muda de figura. Não quero abandonar minha profissão pra ser garçonete de novo, nem dividir um ap com um banheiro com mais 5 pessoas. Tenho ótimas recordações, mas passou. Quando eu voltar, quero que seja diferente. E sei que agora isso não é possível.
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